Continuidade de negócios depende de plano, teste e documentação, e não apenas de tecnologia. No case do Grupo Isdra, as enchentes aceleraram a migração do data center. O DR foi testado a quente, e a TI passou a participar das decisões do negócio.
O valor de estar pronto: continuidade de negócios com Grupo Isdra foi o tema do quarto episódio da segunda temporada do Adentro Labs. O podcast da Adentro explora os desafios mais críticos da infraestrutura de TI e da continuidade de negócios.
Nos episódios anteriores, o programa explicou o que é Disaster Recovery de verdade e mostrou como se projeta um DR que funciona. Depois, discutiu como se escolhe a infraestrutura certa.
Agora, a conversa saiu da teoria. Ronaldo Barbieri, CEO da Adentro, recebeu Rodrigo Kasper, CTO do Grupo Isdra, para ouvir a história de quem viveu tudo isso na prática.
Não foi uma história de vitória fácil. Foram decisões urgentes, resistências vencidas e aprendizados que só a prática entrega.
Do data center on-premises às enchentes de 2024
Rodrigo chegou ao Grupo Isdra logo depois das enchentes. A primeira missão foi migrar o data center. O ambiente funcionava de forma on-premises, na sede corporativa do grupo, em Porto Alegre.
A tecnologia tinha alguma maturidade, mas os processos eram, nas palavras dele, bem caseiros.
Não existia plano de recuperação desenhado nem documento formal. Havia o desejo da equipe de infraestrutura e a abertura da presidência para falar de inovação. A consciência do risco existia na diretoria.
Dos quatro appliances Oracle, dois ficavam em outro data center, mas o principal permanecia em Porto Alegre. Rodrigo definiu o nível de maturidade como “um pouco acima do inexistente”.
Durante as enchentes, o time passou 30 dias levando diesel nas costas para manter o gerador funcionando. Segundo o Baguete, eram cerca de 100 litros por dia.
A pressão era enorme porque o grupo reúne operações que não podem parar. A rede Master Hotéis, com nove hotéis, e a Fibraplac, em Glorinha, funcionam 24 horas.
O gatilho: semanas para fazer o que levaria meses
A mudança já estava no horizonte. No começo do ano, o grupo precisava escolher entre trocar hardware ou migrar para uma nuvem privada. A contingência ficaria em um site mais distante. Então a enchente chegou e acelerou tudo.
“Aquele planejamento que você teria seis, oito meses para executar, nós tínhamos semanas para fazer”, lembrou Rodrigo. A urgência virou motivação para o time.
Não havia nenhuma exigência regulatória por trás do projeto. Rodrigo vem do mercado financeiro, onde passou quatro anos à frente da governança de TI, com foco em recuperação de desastres.
Ele sabe o peso de requisitos como o PCI. No Grupo Isdra, o motor foi outro. Hóspedes entram e saem dos hotéis, e caminhões saem da fábrica, em dois universos distintos dentro de um único ecossistema.
Como convencer a empresa a investir em continuidade de negócios
Com a decisão tomada, vieram as conversas internas. O ponto central foi aproximar a TI do negócio, e não o contrário.
Resistência pequena e comunicação constante
Segundo Rodrigo, toda mudança gera alguma resistência, principalmente entre áreas que não acompanham a tecnologia de perto. No grupo, porém, houve mais curiosidade do que oposição. A estratégia foi divulgar o projeto de forma contínua.
Hoje, ele ou alguém da equipe participa da integração de cada novo colaborador. Em um dos slides, apresentam a arquitetura e os planos de recuperação, o que leva a continuidade de negócios para a rotina da empresa.
Comece pelo BIA e fale a língua do negócio
Para Rodrigo, a conversa sempre começa pelo BIA, a análise de impacto nos negócios. A definição de continuidade de negócios passa pela área de negócio. “É o negócio que tem que passar para TI a prioridade”, afirmou.
Ele lembrou um caso de outra experiência. A equipe atualizou o data center, e os ADs perderam a relação de confiança com a suíte core da empresa.
O data center estava no ar, mas todo mundo ficou do lado de fora. Esse tipo de dependência só aparece quando TI e negócio conversam.
Na hora de pedir investimento, a abordagem financeira funcionou melhor. Quanto custa um caminhão parado na Fibraplac? Existe um custo por minuto, e o custo do downtime precisa ser levantado junto com a reputação perante os clientes.
Os testes ajudam a provar o retorno.
“Eu não estou sustentando um servidor, eu estou sustentando uma operação de faturamento, de entrada, saída, de processo produtivo”, resumiu Rodrigo. Para ele, o gestor de TI precisa ir até a fábrica, conhecer o negócio e deixar o negócio conhecer a tecnologia.
A jornada com a Adentro, do desenho ao primeiro teste de DR
Com o apoio da liderança, o projeto saiu do papel. O desenho da solução nasceu de um grupo de trabalho formado por profissionais do grupo e da Adentro.
Um ambiente construído em conjunto
A equipe definiu um ambiente em cluster, com replicação entre os sites. Segundo Rodrigo, a aproximação entre as equipes foi fundamental para a sobrevivência do projeto. “Hoje, tem profissionais da Adentro que conhecem melhor o meu ambiente do que eu mesmo”, disse.
O primeiro ano de operação terminou sem nenhuma indisponibilidade de serviço. Só depois chegou o momento de colocar o Disaster Recovery à prova.
O teste em um ambiente “bolha”
O time elencou os serviços e as bases que não podem parar. Depois, criou um terceiro ambiente, em bolha, que replicava o ambiente de contingência em São Paulo.
Em determinado momento do dia, a diretoria sabia, mas a empresa não. Foi aí que viraram a chave.
Os hotéis subiram primeiro, quase de imediato. O sistema seguiu funcionando normalmente, agora a partir de São Paulo. A operação da Fibraplac, mais complexa, ficou fora por menos de dez minutos.
Ronaldo chamou de teste a quente. A volta ao ambiente original levou de 15 a 20 minutos. Houve ajustes, claro, e até uma foto da equipe comemorando dentro da sala.
O failback também precisa estar no plano
Ir para o DR é só metade da história. Rodrigo comparou com o horário de verão, que era fácil de aplicar, mas bem mais complicado de reverter. “A volta de um DR para um ambiente oficial precisa estar muito bem documentada, cada etapa”, afirmou.
Em novembro, um incidente levou o time a cogitar a virada para o DR. Em dezembro, veio o primeiro teste. Em uma experiência anterior, ele conduziu oito testes de DR. No primeiro, o ambiente levou uma hora para subir.
A partir do quarto, o switchover de banco, a migração de DNS e a validação com o usuário levavam segundos.
A documentação sustentou essa evolução. Rodrigo criticou o profissional que se apresenta como a própria documentação. Ronaldo resumiu com uma frase curta. Ninguém é superman.
Para estruturar a continuidade de negócios, o guia de Disaster Recovery é um bom ponto de partida.
Resiliência na cultura: o que mudou na TI
Depois da enchente, a forma de enxergar a tecnologia e a continuidade de negócios mudou. O time sustentou o ambiente durante um mês sem energia elétrica, e a empresa reconheceu o esforço.
A TI ganhou senioridade e passou a participar das conversas de BIA e de restauração.
“Hoje, a TI permeia todas as áreas”, disse Rodrigo. Ela está presente quando se fala de pricing da Fibraplac e de reforma tributária, com IBS e CBS. Toda semana, ele tem uma agenda com a presidência.
Uma vez por mês, leva os indicadores, incluindo MTTR e MTBF.
O próximo passo já está em construção. Junto com a Adentro, o grupo desenha uma estrutura ativo-ativa entre os data centers, com migração de Oracle, Postgres, Windows e Linux.
O objetivo é que o negócio não precise saber em qual data center está. Ele só precisa receber o melhor serviço.
Descubra se a sua empresa está pronta
A história do Grupo Isdra mostra que continuidade de negócios não nasce no dia do desastre. Ela nasce do diagnóstico, do plano e do teste. Quanto antes a TI conversar com o negócio, menor é o custo de errar na continuidade de negócios.
A Adentro apoia empresas em cada etapa, do desenho do ambiente ao teste de DR. Para começar, faça o Cloud Checkup e avalie a maturidade em TI da sua empresa. Converse com um especialista da Adentro e prepare a sua operação antes da próxima crise.
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Assista agora na íntegra o quarto episódio da segunda temporada do Adentro Labs:
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