Como se projeta um Disaster Recovery que funciona de verdade foi o tema do segundo episódio da segunda temporada do Adentro Labs, o podcast da Adentro que explora os desafios mais críticos da infraestrutura de TI e da continuidade de negócios.
No episódio anterior, Ronaldo Barbieri, CEO da Adentro, e Jefferson Roehe, CTO da Adentro, tinham explicado o que é DR de verdade, a diferença entre backup e recuperação, e os conceitos de RTO e RPO.
Desta vez, o programa saiu da teoria para entrar nos bastidores da implementação, recebendo Cícero Bedani, Senior Systems Engineer na Veeam Software, com mais de 13 anos de experiência em backup, nuvem híbrida e cibersegurança.
O diagnóstico inicial: entender o negócio antes da tecnologia
A conversa começou pelo primeiro passo de qualquer projeto de DR: o diagnóstico. Cícero explicou que, antes de levantar qualquer requisito técnico – quantidade de máquinas virtuais, servidores, volume de storage –, é preciso entender a necessidade real do negócio. Quanto tempo a empresa aceita ficar parada? Quanto tempo ela aceita de perda de dados?
Essa compreensão normalmente esbarra na falta de um documento essencial: o Business Impact Analysis (BIA). Segundo Cícero, a lacuna mais frequente nas conversas iniciais não é técnica, é de alinhamento: áreas de tecnologia e de negócio muitas vezes não conversam entre si sobre o que realmente precisa ser protegido, e com que prioridade.
Ele ilustrou isso com um caso de uma área financeira que queria implementar DR com backup e restore para sua aplicação de PIX, uma abordagem incompatível com uma operação em que, segundo ele, “segundos ali são transações e milhares de reais”.
O BIA da empresa, revisado depois desse episódio, nem sequer incluía aplicações mais modernas como o PIX entre as críticas do negócio. Mesmo em instituições financeiras, reguladas e obrigadas a manter cópias de backup por determinação do Banco Central, esse tipo de lacuna aparece.
O que mudou (e o que não mudou) com a nuvem
Cícero também comentou como a chegada da cloud alterou o projeto de ambientes resilientes. Para ele, a nuvem trouxe mais flexibilidade e reduziu o tempo de implementação de um site de DR, não é preciso mais adquirir hardware, instalar e configurar equipamentos de rede do zero.
Mas a agilidade da nuvem não substitui o planejamento: entender o que é crítico para o negócio, mapear cenários e estruturar um plano continua sendo, nas palavras dele, “o dever de casa”.
Sobre a resistência das empresas em investir em resiliência antes de uma crise, Cícero citou dados de uma pesquisa anual da Veeam com 1.300 clientes de diferentes setores: 900 relataram ter sofrido algum tipo de desastre, e 90% desses eventos foram de natureza cibernética.
O levantamento também mostra que as empresas mais bem-sucedidas na recuperação após um incidente investem não apenas em soluções modernas de proteção de dados, mas também em treinamento das equipes, seguindo, entre outras práticas, a regra 3-2-1 (três cópias dos dados, em dois locais diferentes, com uma cópia offline).
O que separa um projeto bom de um que falha
Um dos pontos centrais da conversa foi a diferença entre um projeto de DR que parece bem estruturado no papel e um que realmente funciona na hora do desastre. Para Cícero, replicar toda a infraestrutura – servidores, storage, capacidade – não é garantia de nada se as interdependências entre sistemas não forem mapeadas.
Ele relatou o caso de uma aplicação crítica de emissão de nota fiscal que teve sua replicação configurada com Continuous Data Protection, permitindo voltar poucos segundos no tempo em caso de falha.
O detalhe esquecido: o serviço de autenticação de usuários ficava apenas no site primário. Quando o failover foi acionado, ninguém conseguiu se autenticar para emitir notas fiscais, gerando parada prolongada e impacto financeiro e de imagem.
Segundo Cícero, os dois padrões de erro mais comuns são opostos entre si: replicar tudo sem priorizar o que é mais importante ou dimensionar o ambiente de forma enxuta demais, esquecendo alguma interdependência crítica.
Ele comparou a situação a uma casa reserva construída longe de um rio que costuma transbordar: de nada adianta levar os móveis para lá se, na hora da enchente, o chuveiro não estiver aquecendo e a TV não estiver no lugar.
O que significa um ambiente de DR “aguentar”
Ronaldo perguntou o que, na prática, define um ambiente de DR que “aguenta” um desastre. Para Cícero, a resposta vai além da capacidade técnica de manter os sistemas de pé: envolve saber por quanto tempo o ambiente secundário precisa se sustentar e, principalmente, ter um plano de volta bem definido.
Ele detalhou os dois momentos desse processo com os termos usados pelo mercado: failover, a migração da operação para o ambiente de DR, e failback, o retorno ao ambiente produtivo original.
Para Cícero, um DR bem planejado é aquele em que a empresa pode permanecer no ambiente secundário pelo tempo que for necessário e, no momento do failback, retomar a partir do ponto exato em que parou, sem retroceder no tempo e sem perder o que foi gerado durante a operação em contingência.
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Assista agora na íntegra segundo episódio da segunda temporada do Adentro Labs:
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