Como se escolhe a infraestrutura certa para um DR?

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Como se escolhe a infraestrutura certa para um Disaster Recovery foi o tema do terceiro episódio da segunda temporada do Adentro Labs, o podcast da Adentro que explora os desafios mais críticos da infraestrutura de TI e da continuidade de negócios.

Nos episódios anteriores, Ronaldo Barbieri, CEO da Adentro, já havia conversado sobre o que é Disaster Recovery de verdade e sobre como se projeta um ambiente resiliente do ponto de vista de processos. Desta vez, o programa foi atrás da peça que sustenta qualquer estratégia de DR: a infraestrutura de dados.

O convidado foi Paulo Marcon, Enterprise Account Executive na Everpure, empresa focada em armazenamento de dados corporativos, nuvem e aceleração de Inteligência Artificial.

A IA baixou a régua para o crime digital

A conversa começou por um dado que já apareceu em episódios anteriores do Adentro Labs: de 1.300 empresas pesquisadas, 900 sofreram algum tipo de desastre, e 90% desses eventos foram de natureza cibernética.

Paulo trouxe uma camada nova a essa estatística: a Inteligência Artificial generativa reduziu drasticamente a barreira técnica para criar ataques. Hoje, qualquer pessoa com acesso a ferramentas de IA sem travas de segurança consegue estruturar um ataque complexo, e o elo mais frágil continua sendo o mesmo de sempre, o fator humano, via engenharia social.

O dever de casa não mudou

Assim como no episódio anterior, o diagnóstico segue sendo o ponto de partida: entender o RTO e o RPO do negócio antes de qualquer decisão de arquitetura. O caso do departamento financeiro que tentou aplicar backup tradicional para uma aplicação de PIX voltou a ser citado como exemplo de que a lacuna raramente é técnica, é de alinhamento entre TI e negócio.

Sobre interdependências, outro caso ilustra o risco de replicar infraestrutura sem mapear as conexões lógicas entre sistemas: uma aplicação crítica de emissão de nota fiscal tinha replicação contínua configurada, mas o serviço de autenticação de usuários ficava hospedado apenas no site primário. No failover, ninguém conseguiu logar para emitir notas fiscais. Paulo resumiu o problema com uma frase direta: “o desastre é não planejado. Para tu conseguir recuperar um ambiente de algo não planejado, você tem que se planejar.”

De storage commodity a plataforma de dados viva

A parte mais técnica da conversa girou em torno de uma mudança de conceito: equipamentos de armazenamento tradicionais viraram commodity, que apenas guarda dado. Para sustentar um DR moderno, Paulo defende migrar para uma plataforma de dados que evolui ao longo dos anos sem migrações traumáticas, equipamentos comprados anos atrás continuam recebendo novos recursos e capacidade de proteção, sem custo adicional de licenciamento.

Nessa lógica, entra a postura Zero Trust: por meio de um recurso de snapshots imutáveis e indeletáveis, a plataforma faz cópias automáticas a cada 5 minutos que nem um administrador com credenciais comprometidas consegue apagar. A restauração desse ambiente protegido leva cerca de um segundo.

Um caso real: recuperação em 30 minutos

O episódio trouxe um estudo de caso concreto: um ministério em Brasília, responsável pela autenticação do portal GOV.BR, sofreu um ataque que destruiu, em 3 minutos, o sistema operacional de mais de 40 servidores físicos em dois data centers, incluindo o Active Directory de autenticação. Num cenário convencional, reconstruir esse ambiente do zero levaria pelo menos uma semana de um serviço usado pelo país inteiro. Como o boot dos servidores estava configurado diretamente na plataforma de dados, a recuperação a partir dos snapshots protegidos levou 30 minutos.

A regra 3-2-1 continua valendo

Paulo reforçou que restauração local ultrarrápida resolve falhas lógicas e de segurança, mas não substitui a regra 3-2-1 diante de desastres físicos – enchentes, incêndios – que exigem uma cópia geograficamente distante. E fez questão de separar dois tipos de prejuízo: o dano de hardware costuma ser coberto por seguro; a perda definitiva de dados e a paralisação do negócio, não.

O custo real se mede em 10 a 12 anos

Sobre como avaliar propostas de infraestrutura, Paulo alertou para a armadilha de comparar apenas o valor de aquisição: storages de baixo custo costumam vir com garantia curta, e o custo de manutenção sobe de forma abusiva na renovação. Segundo ele, a análise correta é de Custo Total de Propriedade projetado para 10 a 12 anos — e um sinal de alerta claro: “se um fornecedor não consegue garantir por contrato o custo de manutenção do sexto ano, desconsidere a parceria.”

IA também precisa de plano de continuidade

Por fim, a conversa chegou aos ambientes de IA. Para Paulo, o gargalo de performance em fluxos de Inteligência Artificial normalmente não está na transferência do dado, mas na latência de processamento de metadados, o motivo pelo qual grandes players de tecnologia padronizaram parte de sua infraestrutura de IA em arquiteturas que tratam dado e metadado em canais paralelos.

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A cada episódio do Adentro Labs, especialistas e líderes de grandes instituições compartilham experiências, desafios e inovações que estão moldando o futuro da tecnologia.

Se você atua com TI, inovação ou transformação digital, esse conteúdo é para você. Apresentado por Ronaldo Barbieri, CEO da Adentro, o canal traz conversas técnicas, diretas e acessíveis.

Assista agora na íntegra o terceiro episódio da segunda temporada do Adentro Labs:

https://www.youtube.com/watch?v=XMtPElwIfvs

Confira também todos os episódios do Adentro Labs no canal no YouTube da Adentro ou no Spotify.

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