No país, elas representam apenas 0,07% dos profissionais de TI, mas já avançam para 39% do setor de TIC, com crescimento anual consistente. No cenário global, representam cerca de 25% da força de trabalho tech, ainda distante da equidade desejada.
Esse cenário reforça a urgência de uma conversa sobre diversidade, inclusão e protagonismo feminino na inovação.
Para aprofundar esse debate, o Adentro Labs recebe duas convidadas que inspiram e transformam o ecossistema: Sílvia Somenzi, CEO da Soluzzione Gestão e Consultoria, e Letícia Araújo, profissional de tecnologia com trajetória marcada por perseverança.
A partir das experiências das duas, é possível entender não apenas os desafios estruturais, mas também os caminhos para impulsionar a presença feminina em um dos setores mais estratégicos do mundo.
A jornada das mulheres na tecnologia no Brasil e no mundo
O panorama da participação feminina nos setores tecnológicos mostra contrastes importantes. Embora haja crescimento consistente, ainda há barreiras culturais, educacionais e estruturais que limitam oportunidades.
Esse contexto nos ajuda a compreender por que tantas mulheres ainda têm dificuldade de se reconhecer como parte da área, e por que esse debate é tão urgente.
Cenário educacional e entrada no mercado
Segundo a CNI, apenas 13,3% das estudantes dos cursos de computação são mulheres. Na engenharia, o índice é de 21,6%.
Esses números revelam uma lacuna que começa muito antes do ingresso no mercado de trabalho, reforçando a importância de iniciativas educacionais que estimulem meninas a explorarem carreiras STEM.
Participação profissional e desafios de crescimento
No mercado de trabalho, as mulheres ocupam 39% das vagas em tecnologia, mas apenas 29% das posições de liderança.
Ainda que haja evolução, o caminho para o topo continua desigual. Esse desequilíbrio é reforçado por fatores como vieses inconscientes, falta de redes de apoio e ambientes pouco inclusivos.
Desafios enfrentados por mulheres líderes na tecnologia
A transição para cargos estratégicos ainda é uma das maiores barreiras para mulheres na tecnologia.
Para Sílvia Somenzi, um dos maiores desafios de sua trajetória foi encarar a necessidade de se desafiar continuamente. Ela destaca a importância de reconhecer pontos fortes e limitações como parte essencial da evolução na carreira.
Letícia Araújo reforça que sua trajetória foi construída com dedicação aos estudos e muito incentivo emocional da família. Para ela, o apoio veio em forma de encorajamento – não financeiro – e foi fundamental para impulsionar sua presença em um setor majoritariamente masculino.
A responsabilidade das empresas em ambientes inclusivos
Letícia avalia que o papel das empresas na inclusão começa muito antes da contratação. A estruturação de processos seletivos sem vieses e o cuidado com a linguagem das vagas fazem diferença.
Práticas discriminatórias, muitas vezes implícitas, precisam ser revistas para garantir um ambiente realmente equitativo.
Políticas eficazes para retenção e valorização
Entre as políticas que mais têm impacto, Letícia destaca as vagas afirmativas e a visibilidade de mulheres já atuantes em posições estratégicas.
Segundo ela, a representatividade é um impulso poderoso para jovens que desejam ingressar na área. Além disso, metas claras de equidade ajudam a orientar decisões organizacionais.
Sílvia acrescenta que a troca constante entre mulheres do setor fortalece a construção de um mercado mais igualitário.
Para ela, movimentos coletivos ajudam, mas é essencial que cada profissional também busque preparo contínuo para os desafios tecnológicos e comportamentais.
Liderança feminina, inovação e representatividade
A presença de mulheres em posições de liderança contribui para ambientes mais inovadores, colaborativos e sensíveis ao contexto das equipes.
Sílvia destaca que mulheres costumam ter uma visão contextual mais rápida e uma abordagem empática, atributos que favorecem decisões estratégicas mais integradas. Ela também ressalta uma liderança atenta aos detalhes e com forte capacidade de agregar pessoas.
Letícia complementa apontando a importância da escuta ativa, habilidade essencial para lidar com equipes diversas e desafios complexos.
O impacto da representatividade para novas gerações
Letícia observa que a presença crescente de mulheres na TI inspira novas jovens a considerar carreiras tecnológicas.
A representatividade amplia horizontes e cria referências reais, fundamentais para que mais meninas se sintam pertencentes e capazes de ocupar esse espaço.
Tendências que podem ampliar a participação feminina na tecnologia
As tendências tecnológicas abrem novas portas para o protagonismo feminino. Sílvia aponta que áreas emergentes – como a Inteligência Artificial – são oportunidades importantes para mulheres que desejam se destacar.
No entanto, ela ressalta que o domínio de soft skills e hard skills será sempre determinante para a construção de trajetórias sólidas e competitivas.
Conselhos para quem quer começar na área
Letícia acredita que o primeiro passo é agir mesmo com insegurança. Para ela, estudar continuamente, cultivar curiosidade e investir em networking são atitudes essenciais.
Aprendizado constante faz parte natural da rotina tecnológica, e abraçar esse movimento é chave para crescer.
A presença das mulheres na tecnologia é um tema urgente, transformador e que precisa ser debatido continuamente. E o Adentro Labs está comprometido em dar visibilidade às vozes que fortalecem esse ecossistema.
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