Teams é um SaaS. Sua empresa não hospeda nada do Teams — mas a qualidade da sua rede, a localização dos seus dados e o que acontece quando alguém apaga uma mensagem são responsabilidades que muita gente não sabe que tem.
Como Teams funciona de verdade
Imagine que você liga para a equipe de TI e pergunta: “o servidor do Teams está derrubado?” A resposta é que não existe servidor do Teams na sua empresa. O Teams é um serviço SaaS da Microsoft — roda nos datacenters deles, gerenciado por eles, atualizado por eles.
O que existe na sua empresa é a rede que conecta seus usuários ao Teams. E é aí que a infraestrutura local importa.
Teams usa três tipos de tráfego:
- Sinalização: controle de chamadas, presença, notificações — pacotes pequenos, baixa latência necessária.
- Mídia (áudio e vídeo): quando você está em uma chamada, o áudio e vídeo trafegam via UDP entre os clientes e os servidores de mídia da Microsoft. Alta sensibilidade à latência e ao jitter.
- Dados (arquivos, mensagens): sincronização via Exchange Online e SharePoint Online — tolerante a latência, mas sensível à banda.
Por que a rede local é o fator que mais afeta o Teams
Na prática, se o Teams funciona mal na sua empresa — chamadas cortando, vídeo travando, notificações atrasando — o problema quase nunca está no Teams. Está na sua rede.
Os problemas mais comuns:
Link de internet subdimensionado. Teams recomenda pelo menos 1,5 Mbps por chamada de vídeo HD. Com 50 pessoas em chamadas simultâneas, isso são 75 Mbps dedicados — fora todo o outro tráfego de internet.
QoS não configurado. Sem Quality of Service na rede, pacotes de vídeo do Teams competem com downloads de arquivo e navegação web. A Microsoft publica intervalos de porta específicos para Teams e recomenda marcação DSCP para priorizar tráfego de mídia.
Proxy ou firewall inspecionando tráfego Teams. Deep packet inspection (DPI) em tráfego criptografado Teams adiciona latência. A Microsoft recomenda bypass de proxy para os IPs e URLs do Teams — há uma lista pública que o firewall deve permitir sem inspeção.
Roteamento subótimo de saída para internet. Se toda a internet da filial sai por VPN para a matriz e de lá para a internet, o tráfego Teams faz o caminho mais longo do que precisaria. Split tunneling — deixar o Teams sair diretamente da filial — reduz latência significativamente.
Onde ficam os dados do Teams
Isso é o que mais surpreende. Os dados do Teams não estão “no Teams” — estão distribuídos em outros serviços Microsoft:
| Tipo de dado | Onde fica |
|---|---|
| Mensagens de chat | Exchange Online (caixa de correio do usuário) |
| Arquivos compartilhados no canal | SharePoint Online (site do Team) |
| Arquivos compartilhados em chat privado | OneDrive do usuário |
| Gravações de reunião | SharePoint Online ou OneDrive |
| Dados de conformidade (mensagens) | Exchange Online (Compliance) |
Isso significa que quando você pensa em backup do Teams, na verdade está pensando em backup de Exchange Online, SharePoint Online e OneDrive — e a política da Microsoft de retenção desses serviços se aplica integralmente.
O problema do backup de Teams que ninguém pensa
O problema real é este: a maioria das empresas que implementa backup de Exchange Online e SharePoint Online esquece que o Teams usa esses serviços. Quando configuram o backup do M365, listam “Exchange” e “SharePoint” — mas não percebem que mensagens de Teams e arquivos de canais precisam estar incluídos explicitamente na política.
Cenários de perda de dados no Teams que acontecem:
- Usuário (ou admin) exclui um canal com todo o histórico de mensagens do projeto
- Team inteiro é deletado após saída de membro que o criava — se não havia owner alternativo
- Mensagens de chat deletadas por usuário desaparecem após 21 dias sem backup
- Gravação de reunião crítica sobrescrita ou deletada no OneDrive
Uma solução de backup de M365 (Veeam, Acronis, Backupify) com cobertura de Teams resolve esses cenários — desde que configurada explicitamente para incluir Teams, não apenas Exchange e SharePoint genéricos.
Requisitos de rede para Teams funcionar bem
A Microsoft publica especificações de rede para Teams. Os limites recomendados para chamadas de qualidade:
| Métrica | Limite recomendado |
|---|---|
| Latência (RTT) | < 100 ms |
| Jitter | < 30 ms |
| Perda de pacotes | < 1% |
| Banda por chamada de vídeo HD | 1,5 Mbps up/down |
| Banda por chamada de áudio | 0,1 Mbps up/down |
Para testar o ambiente antes de migrar para Teams, a Microsoft disponibiliza o Microsoft 365 Network Assessment Tool e o Teams Network Assessment Tool — executam testes de latência, jitter e perda de pacote de dentro da rede corporativa para os servidores Teams mais próximos.
Teams Phone e PSTN: quando precisa de infraestrutura adicional
Se sua empresa quer usar o Teams para substituir o PABX corporativo (ligações para telefones fixos e celulares), aí aparece uma camada adicional de infraestrutura:
- Plano de Chamadas Microsoft (Calling Plans): a Microsoft provê os números e a conectividade PSTN. Disponível no Brasil com limitações.
- Direct Routing: você conecta o Teams a um SBC (Session Border Controller) próprio ou de operadora, que faz a conexão com a PSTN no Brasil. Exige infraestrutura (SBC físico ou virtual) e configuração de telecomunicações.
Para empresas brasileiras com PABX legado e ramais físicos, Direct Routing é geralmente o caminho — mantém a operadora local e integra o Teams.
Teams é simples de usar e complexo de suportar bem. Se você quer garantir qualidade de chamada, compliance de dados e backup de mensagens, fale com a equipe técnica da Adentro para avaliar sua infraestrutura e política de proteção de dados M365.