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Active Directory em cloud: AD DS vs Microsoft Entra ID

Active Directory e Azure AD são frequentemente tratados como sinônimos — não são. Um é a identidade do mundo Windows on-premises; o outro é a identidade do mundo cloud. Confundir os dois leva a arquiteturas que não funcionam como esperado.

O que é o AD DS tradicional

Imagine a estrutura de identidade de uma empresa com 300 funcionários há 15 anos: todos os computadores são Windows, entram no domínio, têm login com usuário e senha corporativa, acessam servidores de arquivo por GPO, e o TI gerencia tudo pelo Active Directory Users and Computers. Isso é AD DS — Active Directory Domain Services.

AD DS é um serviço de diretório instalado em Domain Controllers (servidores Windows), usando os protocolos LDAP, Kerberos e NTLM. Tudo que existe dentro do domínio — computadores, usuários, grupos, impressoras, políticas — é gerenciado ali.

O AD DS é excelente para:

  • Autenticação de máquinas Windows ingressadas no domínio
  • Aplicação de Group Policy (GPO) em toda a frota de estações e servidores
  • Acesso a recursos internos: servidores de arquivo, impressoras, sistemas legados com autenticação Windows
  • Integração com aplicações que falam LDAP ou Kerberos

O AD DS não foi feito para:

  • Aplicações SaaS e cloud (Salesforce, Slack, ServiceNow, Microsoft 365)
  • Autenticação moderna via navegador com OAuth 2.0 / OpenID Connect
  • Usuários externos, parceiros, clientes (B2B/B2C)
  • Dispositivos não-Windows (smartphones, Macs, Linux)

O que é Microsoft Entra ID

Microsoft Entra ID — antigo Azure AD, renomeado em 2023 — é a plataforma de identidade cloud-native da Microsoft. Não é uma versão cloud do AD DS. É um produto diferente, com protocolos diferentes, para um mundo diferente.

Enquanto AD DS fala LDAP e Kerberos, Entra ID fala OAuth 2.0, SAML 2.0 e OpenID Connect — os protocolos padrão de identidade cloud. Toda aplicação moderna que suporta SSO usa esses protocolos.

O Entra ID é excelente para:

  • SSO (Single Sign-On) para aplicações cloud e SaaS
  • MFA (autenticação multifator) para todos os usuários e aplicações
  • Conditional Access: políticas de acesso baseadas em usuário, dispositivo, localização e risco
  • Gestão de identidade para Microsoft 365, Azure e qualquer aplicação com suporte SAML/OIDC
  • B2B: convidar parceiros externos com acesso controlado
  • B2C: identidade para usuários finais de aplicações públicas

O Entra ID não substitui o AD DS para:

  • Máquinas Windows ingressadas em domínio tradicional (embora Entra Join seja uma alternativa para novos dispositivos)
  • Aplicações legadas que dependem de LDAP ou Kerberos diretamente
  • Group Policy para gerenciamento de configuração de estações Windows

A diferença prática no dia a dia

Na prática, a distinção mais importante é esta:

  • AD DS: quando um funcionário liga o notebook, faz login no Windows — o AD DS autentica esse login no domínio.
  • Entra ID: quando o mesmo funcionário abre o Chrome e acessa o Microsoft 365, Salesforce ou qualquer app SaaS — o Entra ID é quem autentica.

Muitas empresas brasileiras operam os dois em paralelo, com sincronização via Entra ID Connect (antes chamado Azure AD Connect): usuários e senhas do AD DS são sincronizados para o Entra ID, criando uma identidade híbrida. O usuário tem o mesmo login para o notebook e para as aplicações cloud.

Azure AD DS: AD como serviço gerenciado

Existe ainda uma terceira opção que confunde: Microsoft Entra Domain Services (antigo Azure AD DS). É o AD DS como serviço gerenciado no Azure — sem precisar operar Domain Controllers.

Quando faz sentido usar Azure AD DS:

  • Você precisa ingressar VMs Azure em domínio tradicional (para aplicações legadas que exigem Kerberos/NTLM)
  • Não quer operar Domain Controllers manualmente
  • Quer mover workloads para cloud sem refatorar aplicações que dependem de autenticação Windows clássica

Azure AD DS é sincronizado a partir do Entra ID — não substitui o Entra ID, funciona ao lado dele para dar suporte a workloads legados.

Tabela de comparação

Critério AD DS (on-premises) Microsoft Entra ID Azure AD DS
Onde roda Domain Controllers on-premises Nuvem Microsoft Azure (gerenciado)
Protocolos LDAP, Kerberos, NTLM OAuth, SAML, OIDC LDAP, Kerberos (no Azure)
Caso principal Domínio Windows corporativo SSO apps cloud, MFA Domínio Windows no Azure
Group Policy Sim Não (usa Intune) Sim (limitado)
Gerenciamento de dispositivos GPO Intune / Entra Join GPO (limitado)
Usuários externos (B2B) Não Sim Não
Custo Incluso no Windows Server Planos Free, P1, P2 Pago por hora no Azure

Migração para cloud-only: quando e como

Empresas que estão modernizando a infraestrutura frequentemente se perguntam: “posso me livrar do AD DS e ir direto para Entra ID?”

A resposta depende do ambiente. Se as estações são modernas (Windows 10/11), as aplicações são todas SaaS ou Azure-native, e não há sistemas legados que dependam de Kerberos/NTLM, a resposta é sim — você pode usar Entra Join nos dispositivos e Entra ID como único diretório, gerenciando configurações de estações via Intune.

Se existem aplicações legadas (ERP em servidor Windows, sistemas com autenticação LDAP, impressoras de rede com autenticação Windows), o AD DS vai continuar necessário por mais tempo — ou você usa Azure AD DS para manter compatibilidade enquanto moderniza as aplicações.


Estruturar identidade para cloud exige entender quando o AD DS ainda é necessário e quando o Entra ID já resolve. Se você está planejando modernização de infraestrutura, fale com um arquiteto da Adentro para mapear o caminho certo para o seu ambiente.

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