Rodar Kubernetes em cloud privada faz sentido para muitas empresas brasileiras: LGPD mais simples de argumentar, custo previsível em BRL, controle sobre o ambiente. Mas há uma diferença crítica em relação ao K8s gerenciado: você (ou o provedor) gerencia o control plane. Entender o que isso significa antes de começar evita surpresas.
Por que Kubernetes em cloud privada faz sentido
Três argumentos práticos para levar o K8s para cloud privada no Brasil:
LGPD e soberania de dados: dados em cloud privada operada por empresa brasileira ficam sob jurisdição nacional, sem o vetor do CLOUD Act americano. Para setores como saúde, financeiro e governo, isso simplifica a análise do DPO e os contratos com clientes.
Custo previsível em BRL: Kubernetes em cloud pública (EKS, AKS, GKE) tem custos em dólar que variam com o câmbio. Cada worker node é uma instância cobrada por hora em USD. Em cloud privada, o modelo de custo é definido em BRL, sem surpresas cambiais no final do mês.
Controle sobre o ambiente: em cloud pública, você tem flexibilidade sobre a aplicação mas pouco controle sobre a infraestrutura subjacente. Em cloud privada, você define as versões de kernel, a configuração de rede, as políticas de segurança do hypervisor. Para workloads com requisitos específicos de compliance, esse controle pode ser determinante.
Opções de distribuição Kubernetes
Kubernetes é um projeto open source, e diferentes empresas empacotam e distribuem versões com diferentes features, suporte e focos:
K3s: distribuição ultra-leve da Rancher/SUSE. Roda com requisitos mínimos de hardware (512 MB de RAM para um nó simples), ideal para clusters menores, edge computing e ambientes de laboratório. Compatível com a API padrão do Kubernetes — tudo que funciona em EKS funciona em K3s.
RKE2 (Rancher Kubernetes Engine 2): a distribuição de produção da Rancher/SUSE, focada em segurança e conformidade com CIS Benchmarks. Substitui o RKE1 com melhorias significativas de segurança e suporte a hardening para ambientes regulados. É a base do Kubernetes gerenciado da Rancher.
VMware Tanzu: a solução de Kubernetes da Broadcom/VMware, profundamente integrada ao vSphere. Para quem já usa VMware em cloud privada, o Tanzu permite criar clusters K8s diretamente da interface do vSphere, com integração nativa de storage (VMware vSAN) e rede (NSX-T). É uma escolha natural para ambientes VMware enterprise.
Red Hat OpenShift: a distribuição enterprise do Kubernetes mantida pela Red Hat (IBM). Adiciona camadas de opinião sobre o K8s base: segurança mais restritiva por padrão, pipeline de CI/CD integrado (Tekton), service mesh integrado (Istio), interface web rica (Console OpenShift). Mais complexo de implementar, mais gerenciado quando em operação. Custo de licença mais alto.
Vanilla Kubernetes (kubeadm): o Kubernetes “puro”, sem camadas adicionais. Você instala e configura tudo do zero via kubeadm. Máximo controle, máxima complexidade operacional. Recomendado apenas para times com expertise aprofundada em K8s.
O que você precisa para rodar K8s em produção
Muita gente subestima os pré-requisitos. Aqui está o que não pode faltar:
Load Balancer externo: Kubernetes precisa de um load balancer para expor serviços para fora do cluster. Em cloud pública, isso vem integrado. Em cloud privada, você precisa provisionar isso separadamente — pode ser um appliance físico, um software como MetalLB ou HAProxy, ou o load balancer gerenciado do provedor de cloud privada.
Storage persistente: containers são efêmeros, mas dados não podem ser. Em cloud pública, o StorageClass provisiona volumes automaticamente (EBS, Azure Disk, etc.). Em cloud privada, você precisa integrar um backend de storage: NFS, Ceph RBD, Longhorn, ou o storage block do provedor. Definir a StorageClass correta é essencial antes de rodar qualquer workload stateful.
Registry privado de imagens: em produção, você não puxa imagens diretamente do Docker Hub (limites de rate, dependência externa). Você precisa de um registry privado: Harbor (open source), Artifactory, ECR (se parte da arquitetura for AWS) ou o registry integrado do Rancher/OpenShift.
Monitoramento e observabilidade: a stack Prometheus + Grafana é o padrão para K8s. Você precisa de métricas do cluster (uso de CPU/memória por Pod, saturação de nodes, estado dos deployments) e de logs centralizados (stack ELK ou Loki + Grafana).
Alta disponibilidade do control plane: para produção real, o control plane precisa de pelo menos 3 nós (para o etcd ter quórum). Um control plane com nó único é ponto único de falha — o cluster inteiro fica inacessível se esse nó falhar.
K8s em cloud privada vs K8s gerenciado
Esta é a diferença mais importante para quem está decidindo:
| Componente | K8s gerenciado (EKS/AKS/GKE) | K8s em cloud privada |
|---|---|---|
| Control plane | Gerenciado pelo provedor | Você ou o provedor gerencia |
| Atualizações de versão | Automatizáveis pelo provedor | Você ou o provedor executa |
| Integração de storage | Automática (StorageClass nativa) | Configuração necessária |
| Load balancer | Integrado ao provedor cloud | Necessita configuração adicional |
| Custo | USD por hora por componente | BRL, previsível |
| CLOUD Act | Aplicável (AWS/Azure/Google) | Não aplicável (provedor nacional) |
| Controle sobre o ambiente | Limitado (acima do control plane) | Total |
O que o Kubernetes gerenciado em cloud privada entrega
Quando um provedor como a Adentro oferece Kubernetes gerenciado em cloud privada, o modelo combina o melhor dos dois mundos: você não gerencia o control plane (similar ao EKS), mas está em infraestrutura nacional com fatura em BRL e sem exposição ao CLOUD Act.
Nesse modelo, o provedor cuida de:
- Alta disponibilidade do control plane (3+ nós)
- Atualizações de versão do Kubernetes
- Integração de storage persistente com a infraestrutura subjacente
- Load balancer para serviços de tipo LoadBalancer
- Monitoramento da infraestrutura do cluster
Você gerencia:
- Seus Deployments, Services e outros objetos do Kubernetes
- Configuração de Ingress e domínios
- Segurança em nível de aplicação (RBAC, Network Policies, secrets)
- Registry de imagens e pipeline de CI/CD
A Adentro oferece Kubernetes gerenciado em cloud privada Tier III no Brasil — control plane gerenciado, storage integrado, suporte em português. Fale com um arquiteto.