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O que é DPA e por que é obrigatório no seu contrato de cloud

A maioria das empresas tem contrato de cloud. Poucas têm DPA. São documentos diferentes — e a ausência do DPA é uma das lacunas de conformidade LGPD mais comuns e mais graves que existem. Se você usa cloud para tratar dados pessoais de clientes, funcionários ou qualquer outro titular, o DPA não é opcional.

O que é um DPA

DPA — Data Processing Agreement, ou Acordo de Processamento de Dados — é o contrato que formaliza a relação entre o controlador (sua empresa, que decide sobre o tratamento de dados) e o operador (o provedor de cloud, que trata os dados por conta sua, seguindo suas instruções).

O artigo 39 da LGPD é direto:

“O operador deverá realizar o tratamento segundo as instruções fornecidas pelo controlador, que verificará a observância das próprias instruções e das normas sobre a matéria.”

Para que o operador possa “seguir suas instruções”, essas instruções precisam estar documentadas — isso é o DPA. Sem ele, não há como verificar se o operador está agindo dentro dos limites que a LGPD exige, e não há como responsabilizá-lo contratualmente por desvios.

O que o DPA deve conter

Um DPA completo e adequado para fins de LGPD precisa cobrir, no mínimo:

Identificação das partes e papéis:
Quem é o controlador, quem é o operador, e confirmação de que o operador age exclusivamente conforme instruções do controlador.

Descrição do tratamento:

  • Quais dados pessoais são tratados (categorias, exemplos)
  • A finalidade do tratamento (por que o provedor de cloud trata esses dados)
  • Os titulares afetados (clientes, funcionários, outros)
  • O prazo do tratamento e da retenção

Localização dos dados:
Onde os dados são armazenados — país, região. Para provedores internacionais, isso é crítico para evidenciar conformidade com as regras de transferência internacional da ANPD.

Medidas de segurança:
Quais controles técnicos e organizacionais o operador implementa para proteger os dados. Pode ser por referência a certificações (ISO 27001, SOC 2) ou descrição direta dos controles.

Suboperadores:
O provedor de cloud usa outros provedores para partes do serviço? (CDN, storage de backup, logging?) O DPA deve listar os suboperadores relevantes e estabelecer que eles também estarão vinculados a obrigações equivalentes.

Direitos dos titulares:
Como o operador apoia o controlador no atendimento dos direitos dos titulares (acesso, correção, deleção, portabilidade). Em cloud, isso geralmente significa: ferramentas para o controlador executar buscas e deleções.

Notificação de incidentes:
Prazo e processo para o operador notificar o controlador em caso de incidente de segurança que afete dados pessoais. O prazo deve ser curto o suficiente para o controlador cumprir os prazos da ANPD (3 dias úteis da resolução CD/ANPD 15/2023).

Direito de auditoria:
O controlador deve ter direito contratual de auditar o operador — diretamente ou por terceiro. Para provedores grandes, isso geralmente é cumprido pelo fornecimento de relatórios SOC 2 ou ISO 27001.

Deleção ao fim do contrato:
O que acontece com os dados ao término do contrato — devolvidos ao controlador, deletados de forma segura, com certificado de deleção. Sem essa cláusula, seus dados podem ficar em servidores do provedor indefinidamente após o encerramento do contrato.

Responsabilidade:
Condições em que o operador pode ser responsabilizado — quando age fora das instruções do controlador ou viola a LGPD diretamente.

Diferença DPA vs SLA

É comum confundir ou misturar os dois — mas são documentos com objetivos distintos:

Aspecto DPA SLA
Foco Proteção de dados pessoais Qualidade e disponibilidade do serviço
Exige Lei (LGPD art. 39) Contrato comercial
Conteúdo Quais dados, finalidade, segurança, direitos, incidentes Uptime, latência, suporte, penalidades por downtime
Quem assina Controlador e operador Cliente e provedor
Consequência de ausência Violação da LGPD Sem garantias contratuais de qualidade

Você precisa dos dois. O SLA garante que o serviço funciona; o DPA garante que seus dados são tratados corretamente.

Como negociar DPA com provedores grandes

AWS, Azure e GCP têm DPAs padrão — documentos extensos disponíveis para aceitação online no portal do provedor. Para a maioria das empresas, aceitar o DPA padrão é o caminho adequado.

O que você precisa verificar antes de aceitar:

  • O DPA cobre todos os serviços que você usa? (Alguns serviços podem não estar no escopo do DPA padrão)
  • A cláusula de suboperadores lista os países onde dados podem ser processados?
  • O prazo de notificação de incidentes está dentro do que a ANPD exige?
  • A cláusula de auditoria aceita SOC 2 como evidência alternativa?
  • A deleção ao fim do contrato está documentada?

Para provedores menores — provedores nacionais de cloud, SaaS corporativos — o DPA pode ser negociável. Tenha um template base com os requisitos mínimos da LGPD e exija adequação antes de assinar qualquer contrato que envolva dados pessoais.

Provedores que se recusam a firmar DPA: se um provedor se recusa categoricamente a assinar DPA para serviços que processarão dados pessoais, isso é um sinal de alerta sério. Você não deveria usar esse provedor para tratamento de dados pessoais — independentemente do tamanho ou reputação da empresa.

Checklist de DPA

Antes de considerar o DPA adequado, verifique:

  • [ ] Papéis de controlador e operador claramente definidos
  • [ ] Descrição dos dados tratados e finalidade
  • [ ] Localização dos dados documentada
  • [ ] Medidas de segurança descritas ou por referência certificada
  • [ ] Lista de suboperadores relevantes
  • [ ] Mecanismo de suporte a direitos dos titulares
  • [ ] Prazo de notificação de incidentes definido
  • [ ] Direito de auditoria previsto
  • [ ] Cláusula de deleção ao fim do contrato
  • [ ] Governança de mudanças (como notificar sobre mudanças no tratamento)

A Adentro fornece DPA completo e alinhado à LGPD a todos os clientes que usam nossa infraestrutura para tratar dados pessoais — sem negociação, sem custo adicional. Parte do contrato padrão.

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