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Custo de egresso AWS: o que ninguém te conta antes de contratar

Entrar na AWS é grátis. Sair é caro. Esse assimetria — dados de entrada sem custo, dados de saída cobrados por GB — é o mecanismo que faz a fatura de muitas empresas explodir depois de alguns meses de uso. Entender isso antes de arquitetar salva muito dinheiro.

O que é egresso de dados

Na terminologia da AWS, egresso (data transfer out) é qualquer dado que sai do ambiente AWS em direção a outro destino: para a internet, para outra região, para outro provedor de cloud, para o seu datacenter. Já ingresso (data transfer in) — dados que entram na AWS — é gratuito em praticamente todos os cenários.

Essa assimetria é deliberada e estrutural no modelo de negócio de todos os grandes provedores de cloud pública. Atrair dados para dentro é grátis; reter os dados (pelo custo de saída alto) cria o que a indústria chama de lock-in econômico.

Quanto custa o egresso na AWS

Os preços variam por região e por destino. A região São Paulo (sa-east-1) é uma das mais caras da AWS:

Tipo de transferência Preço aproximado por GB
EC2/S3 → Internet (primeiros 10 TB/mês) US$ 0,09
EC2/S3 → Internet (próximos 40 TB/mês) US$ 0,085
EC2/S3 → Internet (acima de 150 TB/mês) US$ 0,07
Entre regiões AWS diferentes US$ 0,02 (origem) + custo da região destino
Entre Zonas de Disponibilidade na mesma região US$ 0,01 em cada direção
Para CloudFront Sem custo adicional
Dados entrando na AWS (ingresso) Grátis

Valores aproximados — consulte a tabela oficial da AWS, que é atualizada periodicamente.

O efeito “hotel California”

“You can check out any time you like, but you can never leave.” A metáfora é boa para descrever a AWS e outras clouds públicas: entrar é simples e rápido. Sair — migrar dados de volta para on-premises ou para outro provedor — exige pagar por cada GB que você move para fora.

Para uma empresa com 100 TB de dados no S3, uma migração completa para outro provedor geraria cerca de US$ 8.000 só de egresso (10 TB a US$ 0,09 + 40 TB a US$ 0,085 + 50 TB a US$ 0,07). Isso sem contar o custo operacional da migração em si.

Esse custo não aparece quando você assina o contrato. Ele aparece quando você decide sair.

Como calcular o egresso mensal da sua aplicação

Antes de mover uma aplicação para a AWS, faça essa conta:

  1. Volume de dados que a aplicação serve por mês: se você tem um portal que serve documentos PDF, some o tamanho médio dos arquivos multiplicado pelo número de downloads mensais.

  2. Tráfego de API: cada resposta da sua API que sai para o cliente é egresso. Para APIs que retornam payloads grandes (listas, relatórios), some o tamanho médio da resposta vezes o volume de chamadas.

  3. Comunicação entre serviços em AZs diferentes: se sua arquitetura tem microserviços em múltiplas AZs (o que é boa prática para HA), o tráfego entre eles gera custo de transferência entre AZs.

  4. Backups e replicação para fora da AWS: se você replica dados para outro provedor ou on-premises, cada byte replicado é egresso.

Multiplique os volumes pelo preço por GB da tabela acima e converta pelo câmbio. O resultado costuma surpreender.

Estratégias para reduzir o egresso

Use CloudFront na frente do S3 e EC2: dados entregues via CloudFront têm custo de egresso menor do que dados entregues diretamente pelo S3 ou EC2 para a internet. O CloudFront armazena em cache e serve de pontos de presença próximos ao usuário, reduzindo o volume que precisa sair dos datacenters AWS.

Comprima os dados antes de transmitir: habilitar gzip ou Brotli nas respostas HTTP pode reduzir o tamanho em 60–80% para dados textuais (JSON, HTML, CSS). Isso afeta diretamente o volume de egresso cobrado.

Mantenha serviços na mesma AZ quando possível: se um serviço A chama um serviço B com alto volume de dados, coloque-os na mesma AZ. A transferência dentro da mesma AZ é gratuita.

Evite NAT Gateway para tráfego de saída desnecessário: instâncias em sub-redes privadas que fazem chamadas para a internet passam pelo NAT Gateway, que cobra tanto pela hora quanto pelo GB processado. Revise quais chamadas são realmente necessárias.

Use S3 Transfer Acceleration com cuidado: esse recurso acelera uploads para o S3, mas tem custo adicional por GB. Para a maioria dos casos, o upload direto ao S3 é suficiente.

Prefira comunicação intra-região: se você tem serviços em múltiplas regiões, analise se a comunicação entre eles é necessária ou se cada região pode ser mais autônoma.

Quando o egresso torna a AWS inviável

Aplicações com as seguintes características precisam mapear o egresso com muito cuidado antes de ir para AWS:

  • Streaming de vídeo: vídeos pesados servidos diretamente para muitos usuários geram egresso massivo
  • Distribuição de arquivos grandes: software, datasets, backups disponibilizados para download
  • APIs que retornam muitos dados: relatórios, exportações, integrações B2B com payloads grandes
  • Replicação ativa para fora da AWS: sincronização com sistemas on-premises ou outros provedores

Para esses perfis, calcule o custo de egresso no cenário projetado de uso e compare com o total da infraestrutura. Em alguns casos, o egresso representa 40–60% da fatura total.


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