Replicação síncrona confirma a gravação nos dois sites antes de liberar a aplicação. Assíncrona confirma no site principal e envia para o secundário depois. A diferença cabe em duas linhas, mas define seu RPO, o custo do seu link e o limite geográfico do seu projeto de DR.
Síncrona: RPO zero, com um preço
Na replicação síncrona, cada operação de escrita só é considerada concluída quando os dois lados confirmam. A consequência é o que todo mundo quer: RPO zero. Se o site principal desaparecer neste instante, não há transação perdida.
O preço aparece na latência. A aplicação espera o ida-e-volta até o site secundário em cada gravação. Como a luz em fibra não negocia, a distância física entra direto no tempo de resposta do seu ERP.
É por isso que replicação síncrona é uma decisão de curta distância. Acima de algumas dezenas de quilômetros, a penalidade de latência começa a degradar aplicações transacionais — e o time de negócio percebe antes do time de infraestrutura.
Assíncrona: distância livre, RPO maior que zero
Na assíncrona, a aplicação recebe a confirmação do site principal e segue. A cópia viaja para o secundário em seguida, com algum atraso. Esse atraso é o seu RPO.
A vantagem é geográfica: você pode replicar entre cidades ou regiões diferentes sem impacto de latência na aplicação. E é exatamente isso que você quer contra desastre regional — enchente, falta de energia prolongada, incidente que atinge um município inteiro.
A desvantagem é aceitar que existe uma janela de dados em trânsito que pode ser perdida.
O trade-off que ninguém escapa
Síncrona protege contra perda de dados e é vulnerável a desastre regional, porque exige proximidade. Assíncrona protege contra desastre regional e aceita perda de dados. Não existe configuração que entregue os dois ao mesmo tempo com um único par de sites.
A saída para quem precisa dos dois é topologia de três sites: síncrona para um secundário próximo, assíncrona desse para um terceiro distante. Custa mais e opera mais complexo — faz sentido para quem tem exigência regulatória, não como padrão.
Como a distância entra na conta
Antes de escolher, meça três coisas do seu ambiente:
- Taxa de escrita em pico: não a média. É o pico que satura o link e faz a replicação assíncrona acumular atraso — aumentando seu RPO justamente no momento de maior movimento.
- Sensibilidade da aplicação à latência de escrita: bancos de dados transacionais e ERPs sentem; repositórios de arquivo quase não.
- Banda disponível e o que acontece quando ela falta: replicação que não acompanha o ritmo não avisa com elegância — ela simplesmente atrasa até seu RPO virar ficção.
A pergunta que vem antes da tecnologia
Escolher entre síncrona e assíncrona sem ter definido o RPO tolerado pelo negócio é escolher no escuro. Quantas horas de transação sua empresa pode perder sem consequência material? Essa resposta vem do financeiro e da operação, não da TI.
Com o RPO definido, a escolha técnica é quase automática. Sem ele, qualquer arquitetura parece defensável — e a conta chega depois.
Onde a Adentro entra
O DR PureSync trabalha com replicação contínua e o DR Ativo com ambiente de contingência pronto para assumir. Qual dos dois serve depende do RPO e do RTO que sua operação exige. Nosso time técnico dimensiona isso a partir do seu perfil de escrita e das suas aplicações críticas.