S3 é o serviço de armazenamento de objetos da AWS. Você joga qualquer arquivo lá dentro — imagem, log, backup, dataset — e ele fica disponível via HTTP ou SDK, sem limite de tamanho de bucket, com durabilidade de 99,999999999% (11 noves). É um dos serviços mais usados da AWS e também um dos mais mal compreendidos em termos de custo.
Como o S3 funciona
O modelo de dados do S3 é simples: você cria um bucket (um contêiner com nome único global) e joga objetos dentro dele. Cada objeto é um arquivo com um nome (chamado de key), o conteúdo em si e metadados — informações como tipo de conteúdo, data de modificação e atributos customizados que você define.
Não existe hierarquia de pastas real no S3. O que parece uma pasta (/imagens/2024/logo.png) é apenas uma convenção de nomenclatura na key do objeto. O bucket é plano por natureza — isso é importante entender para modelar corretamente suas políticas de acesso.
Cada objeto pode ter até 5 TB. Para uploads grandes, o S3 oferece multipart upload, que divide o arquivo em partes e faz o upload em paralelo.
Classes de armazenamento: pague pelo que você realmente usa
Nem todo dado precisa estar disponível em milissegundos. O S3 oferece classes diferentes para diferentes padrões de acesso:
| Classe | Latência | Custo de armazenamento | Para que serve |
|---|---|---|---|
| Standard | Milissegundos | Mais alto | Dados acessados com frequência |
| Intelligent-Tiering | Milissegundos | Médio (move automaticamente) | Dados com padrão de acesso imprevisível |
| Standard-IA (Infrequent Access) | Milissegundos | Mais baixo | Dados acessados raramente, mas precisa de acesso rápido quando necessário |
| Glacier Instant Retrieval | Milissegundos | Baixo | Arquivos que ficam meses sem ser acessados |
| Glacier Flexible Retrieval | Minutos a horas | Muito baixo | Backups de longo prazo |
| Glacier Deep Archive | Horas | Mínimo | Arquivamento regulatório — acesso raro por anos |
O Intelligent-Tiering é frequentemente a escolha mais inteligente para dados com padrão de acesso incerto: o S3 monitora os acessos e move automaticamente os objetos entre tiers, sem impacto operacional.
Casos de uso reais
Backup e arquivamento: S3 com Glacier é o destino de backup mais comum em infraestruturas AWS. Ferramentas como AWS Backup, Veeam e Bacula têm integração nativa.
Hosting de assets estáticos: imagens, CSS, JavaScript, fontes — tudo que um site serve sem processamento. Combinado com o CloudFront (CDN da AWS), o S3 vira uma origem de conteúdo global com latência baixa.
Data lake: S3 é a base de dados lakes na AWS. Serviços como Athena, Glue e EMR leem diretamente do S3, o que o torna o ponto de convergência de dados brutos antes do processamento.
Logs de aplicação: é comum configurar aplicações para enviar logs direto ao S3. Com o Intelligent-Tiering, logs antigos migram automaticamente para classes mais baratas.
O custo oculto: egresso de dados
Aqui está o ponto que mais surpreende quem começa no S3.
Armazenar dados no S3 é barato. A Standard custa cerca de US$ 0,023 por GB por mês na região São Paulo. Para 10 TB, isso dá aproximadamente US$ 235 por mês.
Tirar dados do S3 é caro. A transferência de dados do S3 para a internet (egresso) custa cerca de US$ 0,09 por GB nos primeiros 10 TB mensais. Uma aplicação que serve 100 TB de dados por mês para usuários paga cerca de US$ 9.000 só de egresso — independente do que paga para armazenar.
Estratégias para reduzir esse custo:
- Use o CloudFront como CDN na frente do S3. Dados entregues via CloudFront têm custo de egresso menor do que direto do S3
- Dados transferidos entre S3 e EC2 na mesma região não geram custo de egresso
- Use compressão (gzip, zstd) nos objetos onde possível
S3 como protocolo padrão da indústria
Um dado importante: o protocolo de API do S3 se tornou um padrão de fato para object storage. Praticamente todo sistema de armazenamento de objetos moderno — seja em cloud privada, solução on-premises ou outros provedores — oferece uma API compatível com S3.
Isso significa que uma aplicação escrita para usar o S3 pode, com mudanças mínimas de configuração (endpoint + credenciais), usar um object storage em cloud privada. Ferramentas como MinIO, Ceph e outros provedores são todos S3-compatible.
Essa portabilidade é um argumento forte: você aprende a usar S3 e o conhecimento serve em qualquer ambiente.
LGPD quando o bucket está fora do Brasil
Se você criar um bucket em uma região fora do Brasil — us-east-1, eu-west-1 — os dados ficam fisicamente nessa região. Isso complica a análise de LGPD, especialmente para dados pessoais sensíveis.
Mesmo na região São Paulo (sa-east-1), a Amazon é uma empresa americana sujeita ao CLOUD Act. Mas ao menos os dados ficam fisicamente no Brasil, o que facilita parte da argumentação de conformidade.
Para dados que precisam de residência garantida em solo brasileiro por contrato ou regulação, a alternativa é um object storage S3-compatible em uma cloud privada nacional.
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